"SALVO DAS ÁGUAS"

 

Fortaleza, 06 de maio de 2008.

Meu nome é Raimundo Nonato, nasci em Fortaleza e depois me formei em oficial da Marinha Mercante.Viajei pelo mundo todo e certa ocasião ao chegarmos em Belém, o navio em que viajava N/M Pedro Teixeira, atracou num cais bem distante da cidade de Belém, eu acredito que era um cais voltado pra desembarque de minério, embora o navio que eu viajava, não transportasse minério. Agora começa minha história. Lá pelas 3 horas da tarde de um certo dia, como estava de folga, resolvi colocar minha farda branca de oficial e ir para a cidade a fim de passear, me distrair, fazer compras e ao mesmo tempo de curtir a vida. Decorrido cerca de uma (1) hora após ter saído do navio, começou uma chuva torrencial em Belém, fato comum por lá. Veja agora, eu de farda branca com galões e debaixo de uma chuva intensa. Lembrando que na Marinha o uniforme branco é para dias ensolarados.Bem, face a isso, peguei um taxi e voltei para o cais do porto. O navio que eu viajava havia atracado num local bem distante da guarita por onde tínhamos acesso ao navio. Paguei o taxista, cumprimentei o guarda que ficava na guarita e rumei para o meu navio debaixo de um forte pé d'água e sai feito doido caminhando a pé com forte desejo de chegar logo ao navio, não podia sair correndo embora fosse meu desejo a fim de chegar logo ao navio e me secar, por não poder enxergar nada devido a escuridão e temia me acidentar de alguma forma, menos cair no mar.Era uma distância equivalente a três quarteirões da entrada para o cais até o navio.Como chovia muito, havia muita lama e água empossada no local, além de não se poder enxergar nada, isso era lá pelas 8 horas da noite. De repente, escorreguei e sai deslizando sem saber o que estava acontecendo comigo, só vim saber do que estava acontecendo quando me vi bebendo água e sentindo falta de ar, devido estar subindo e afundando no mar e percebi que havia caído do cais lá embaixo, aí pude ver ao longe, debaixo para cima as luzes de meu navio, antes via as luzes do navio no mesmo plano do cais, agora via bem no alto as luzes. Meu quepe sumiu, meu sapato do pé esquerdo também sumiu e sentia fortes dores no tornozelo esquerdo onde parecia uma bola de tão inchado que estava.Fiquei desesperado, pois não havia ninguém nas proximidades, ninguém poderia me ouvir, não passava ninguém, por ser noite, não havia nenhum barco nas imediações,não havia mais nenhum navio atracado nesse cais, somente havia o meu, não podia subir o paredão do cais, pois estava cheio de mexilão e além dele cortar as mãos, ele se torna escorregadio e o guarda da guarita estava distante demais de mim, eu diria que estava no meio do trajeto guarita/ navio, além do barulho dos trovões, ninguém poderia ouvir meus pedidos de socorro caso assim o fizesse, não estava podendo nadar pela dor que sentia no tornozelo, era o meu fim, senti um forte temor de morte se aproximando. O que fazer meu Deus? Foi daí que resolvi orar, uma oração curta, mas de desespero, nunca fui de frequentar uma igreja, mas sabia que acima de tudo havia um Deus que havia criado todas as pessoas e que nos amava. Resolvi buscar esse Deus na angústia que sentia. Assim pedi: “Meu Deus se eu sou lembrado por Ti também, mesmo sendo um grande pecador e se Tu me amas e tem cuidado de mim, por favor livra-me dessa agonia, pois estou desesperado e tenho família para criar. Amém.” Assim que acabei de orar resolvi gritar e não cheguei a gritar pela segunda vez,quando senti que nas minhas costas alguém me tocava.Com muita dificuldade pela escuridão e chuva deu pra perceber um homem em pé num caique. O que é um caique? É uma estreita embarcação, sem segurança nenhuma e este era pequeno demais, cerca de uns 2 metros de comprimento, portanto sem segurança nenhuma e o que mais me chamou a atenção é que esse homem estava em pé o tempo todo, esta embarcação poderia virá com facilidade, devido ser estreita, além do fato dele está em pé. Esse homem me pegou pelas mãos, me puxou pra cima do caique e me sentei com os pés dentro d'água, ou seja, o pé esquerdo para um lado e o direito para outro lado. O homem começou a remar em direção ao navio em que eu estava, sem ao menos me perguntar para onde eu ia. Enquanto ele remava em pé, eu lhe fiz algumas perguntas que não tive respostas. Perguntei quem é o senhor? Como me viu aqui n'água com essa chuva? Como sabe que quero ir para aquele navio? O tempo todo o homem permaneceu em completo silêncio. Nos aproximamos do navio pelo lado oposto ao cais e para minha surpresa ele fez indicação de segurar minha mão e erguer-me e me apontou para uma escada de corda presa no costado do navio. Coisa muito estranha, pois eu era oficial desse navio e a escada de corda nunca ninguém colocava no costado do navio, a não ser para pegar o prático que é a pessoa que acompanha o navio de alto mar pra atracar, pois é o prático que conhece todos os detalhes de bóias e relevos da baia,onde o navio vai atracar, é ele quem leva juntamente com a guarnição do navio, o navio do cais para alto mar e lá chegando ele passa o comando para o comandante do navio. Voltando a história, subi na escada de corda apoiando somente o pé direito, uma vez que o esquerdo estava uma bola de inchado e não permitia apoiá-lo, subi 2 degraus e ao olhar para baixo a fim de agradecê-lo, não vi mais aquele homem em pé sobre o estreito caique. Ele havia sumido, olhei para a água e não vi nenhum movimento ou marolinha que indicasse movimentaçao de embarcação. Quando cheguei no alto da escada, ainda olhei para baixo na esperança de vê-lo novamente. Fiquei no alto da escada por uns 5 minutos mais ou menos não vendo mais nada, desci da escada para dentro do navio e fui pulando até a enfermaria do navio e lá chegando, encontrei o enfermeiro vendo televisão, só havia no navio três pessoas: o enfermeiro, o guarda do navio que fica na escada do portaló que vigia o navio pra ver quem sobe pela escada,ou seja é o civil de terra que sabe quem entra ou quem sai do navio, o maquinista que fica na praça de máquina e mais ninguém.Demais membros da tripulação estavam provavelmente em terra, na casa de parentes ou amigos. Contei tudo para o enfermeiro e mal acabei de contar, ele foi correndo para o local em que subi para o navio enquanto eu ficava na enfermaria deitado com compressas de gelo no tornozelo. Ele permaneceu cerca de 25 minutos lá no local e depois voltou dizendo: não encontrei ninguém nas imediações. Desde aquele dia nunca mais fui o mesmo, hoje eu sou batizado e sirvo ao meu Jesus e sei que ELE ama tanto o justo que não vive pecando como o pecador,hoje eu sei que devo servir a meu Jesus, viver uma vida de santificação, pois quando ELE voltar se eu viver abraçado ao pecado eu não poderei ser salvo, Deus me ama, mas não ama o pecado que há em mim. Eu e minha família estamos nos preparando para a volta gloriosa de Jesus a essa terra. É o meu desejo que todos que lerem meu testemunho façam o mesmo e se preparem para a Volta de Jesus. Gostaria que esse testemunho fosse mencionado no seu site para servir de advertência a todas as demais pessoas.

Raimundo Nonato

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