Meu nome é Raimundo Nonato, nasci em Fortaleza e depois me
formei em oficial da Marinha Mercante.Viajei pelo mundo todo e
certa ocasião ao chegarmos em Belém, o navio em que viajava N/M
Pedro Teixeira, atracou num cais bem distante da cidade de Belém,
eu acredito que era um cais voltado pra desembarque de minério,
embora o navio que eu viajava, não transportasse minério. Agora
começa minha história. Lá pelas 3 horas da tarde de um certo dia,
como estava de folga, resolvi colocar minha farda branca de
oficial e ir para a cidade a fim de passear, me distrair, fazer
compras e ao mesmo tempo de curtir a vida. Decorrido cerca de uma
(1) hora após ter saído do navio, começou uma chuva torrencial em
Belém, fato comum por lá. Veja agora, eu de farda branca com
galões e debaixo de uma chuva intensa. Lembrando que na Marinha o
uniforme branco é para dias ensolarados.Bem, face a isso, peguei
um taxi e voltei para o cais do porto. O navio que eu viajava
havia atracado num local bem distante da guarita por onde tínhamos
acesso ao navio. Paguei o taxista, cumprimentei o guarda que
ficava na guarita e rumei para o meu navio debaixo de um forte pé
d'água e sai feito doido caminhando a pé com forte desejo de
chegar logo ao navio, não podia sair correndo embora fosse meu
desejo a fim de chegar logo ao navio e me secar, por não poder
enxergar nada devido a escuridão e temia me acidentar de alguma
forma, menos cair no mar.Era uma distância equivalente a três
quarteirões da entrada para o cais até o navio.Como chovia muito,
havia muita lama e água empossada no local, além de não se poder
enxergar nada, isso era lá pelas 8 horas da noite. De repente,
escorreguei e sai deslizando sem saber o que estava acontecendo
comigo, só vim saber do que estava acontecendo quando me vi
bebendo água e sentindo falta de ar, devido estar subindo e
afundando no mar e percebi que havia caído do cais lá embaixo, aí
pude ver ao longe, debaixo para cima as luzes de meu navio, antes
via as luzes do navio no mesmo plano do cais, agora via bem no
alto as luzes. Meu quepe sumiu, meu sapato do pé esquerdo também
sumiu e sentia fortes dores no tornozelo esquerdo onde parecia uma
bola de tão inchado que estava.Fiquei desesperado, pois não havia
ninguém nas proximidades, ninguém poderia me ouvir, não passava
ninguém, por ser noite, não havia nenhum barco nas imediações,não
havia mais nenhum navio atracado nesse cais, somente havia o meu,
não podia subir o paredão do cais, pois estava cheio de mexilão e
além dele cortar as mãos, ele se torna escorregadio e o guarda da
guarita estava distante demais de mim, eu diria que estava no meio
do trajeto guarita/ navio, além do barulho dos trovões, ninguém
poderia ouvir meus pedidos de socorro caso assim o fizesse, não
estava podendo nadar pela dor que sentia no tornozelo, era o meu
fim, senti um forte temor de morte se aproximando. O que fazer meu
Deus? Foi daí que resolvi orar, uma oração curta, mas de
desespero, nunca fui de frequentar uma igreja, mas sabia que acima
de tudo havia um Deus que havia criado todas as pessoas e que nos
amava. Resolvi buscar esse Deus na angústia que sentia. Assim
pedi: “Meu Deus se eu sou lembrado por Ti também, mesmo sendo um
grande pecador e se Tu me amas e tem cuidado de mim, por favor
livra-me dessa agonia, pois estou desesperado e tenho família para
criar. Amém.” Assim que acabei de orar resolvi gritar e não
cheguei a gritar pela segunda vez,quando senti que nas minhas
costas alguém me tocava.Com muita dificuldade pela escuridão e
chuva deu pra perceber um homem em pé num caique. O que é um
caique? É uma estreita embarcação, sem segurança nenhuma e este
era pequeno demais, cerca de uns 2 metros de comprimento, portanto
sem segurança nenhuma e o que mais me chamou a atenção é que esse
homem estava em pé o tempo todo, esta embarcação poderia virá com
facilidade, devido ser estreita, além do fato dele está em pé.
Esse homem me pegou pelas mãos, me puxou pra cima do caique e me
sentei com os pés dentro d'água, ou seja, o pé esquerdo para um
lado e o direito para outro lado. O homem começou a remar em
direção ao navio em que eu estava, sem ao menos me perguntar para
onde eu ia. Enquanto ele remava em pé, eu lhe fiz algumas
perguntas que não tive respostas. Perguntei quem é o senhor? Como
me viu aqui n'água com essa chuva? Como sabe que quero ir para
aquele navio? O tempo todo o homem permaneceu em completo
silêncio. Nos aproximamos do navio pelo lado oposto ao cais e para
minha surpresa ele fez indicação de segurar minha mão e erguer-me
e me apontou para uma escada de corda presa no costado do navio.
Coisa muito estranha, pois eu era oficial desse navio e a escada
de corda nunca ninguém colocava no costado do navio, a não ser
para pegar o prático que é a pessoa que acompanha o navio de alto
mar pra atracar, pois é o prático que conhece todos os detalhes de
bóias e relevos da baia,onde o navio vai atracar, é ele quem leva
juntamente com a guarnição do navio, o navio do cais para alto mar
e lá chegando ele passa o comando para o comandante do navio.
Voltando a história, subi na escada de corda apoiando somente o pé
direito, uma vez que o esquerdo estava uma bola de inchado e não
permitia apoiá-lo, subi 2 degraus e ao olhar para baixo a fim de
agradecê-lo, não vi mais aquele homem em pé sobre o estreito
caique. Ele havia sumido, olhei para a água e não vi nenhum
movimento ou marolinha que indicasse movimentaçao de embarcação.
Quando cheguei no alto da escada, ainda olhei para baixo na
esperança de vê-lo novamente. Fiquei no alto da escada por uns 5
minutos mais ou menos não vendo mais nada, desci da escada para
dentro do navio e fui pulando até a enfermaria do navio e lá
chegando, encontrei o enfermeiro vendo televisão, só havia no
navio três pessoas: o enfermeiro, o guarda do navio que fica na
escada do portaló que vigia o navio pra ver quem sobe pela
escada,ou seja é o civil de terra que sabe quem entra ou quem sai
do navio, o maquinista que fica na praça de máquina e mais
ninguém.Demais membros da tripulação estavam provavelmente em
terra, na casa de parentes ou amigos. Contei tudo para o
enfermeiro e mal acabei de contar, ele foi correndo para o local
em que subi para o navio enquanto eu ficava na enfermaria deitado
com compressas de gelo no tornozelo. Ele permaneceu cerca de 25
minutos lá no local e depois voltou dizendo: não encontrei ninguém
nas imediações. Desde aquele dia nunca mais fui o mesmo, hoje eu
sou batizado e sirvo ao meu Jesus e sei que ELE ama tanto o justo
que não vive pecando como o pecador,hoje eu sei que devo servir a
meu Jesus, viver uma vida de santificação, pois quando ELE voltar
se eu viver abraçado ao pecado eu não poderei ser salvo, Deus me
ama, mas não ama o pecado que há em mim. Eu e minha família
estamos nos preparando para a volta gloriosa de Jesus a essa
terra. É o meu desejo que todos que lerem meu testemunho façam o
mesmo e se preparem para a Volta de Jesus. Gostaria que esse
testemunho fosse mencionado no seu site para servir de advertência
a todas as demais pessoas.
Raimundo Nonato